Somos todos Meio Ambiente



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5 de junho de 2020 - 21:46


Em 05 de junho de 1972, durante a Conferência de Estocolmo, primeira reunião sobre o meio ambiente, foi proclamado o Dia Mundial do Meio Ambiente. O objetivo maior era incentivar a reflexão conjunta acerca da necessidade de conservar cada território e nicho natural que o mundo ainda possui, elaborando melhores medidas de manejo para uma geração, futuramente, sustentável. 

Quase 5 décadas depois, chegamos a mais um dia 05 de junho e as notícias não são as melhores, pois o que o mundo vive é uma realidade do agravamento do aquecimento global, o aumento de queimadas na Amazônia (mesmo depois de toda a crise de queimadas de 2019), o avanço da desertificação no continente africano, a contaminação por superbactérias em rios e lagos de água consumida, o aumento da produção de resíduos sem a destinação adequada, entre outros problemas. O Planeta Terra foi sequestrado e colocado em cativeiro pela ambição humana, é o que se percebe.

Em 2015, a Organização das Nações Unidas renovou os objetivos do milênio com a criação da agenda 2030 que inclui 17 objetivos para os próximos 15 anos e, desses, 7 são voltados para o meio ambiente. Porém, quantas pessoas já ouviram falar sobre esse documento? Quantos desses objetivos as comunidades locais têm focado nesses cinco anos já transcorridos? São reflexões necessárias ao pensar sobre tal data, mesmo sabendo que o Ministério do Meio Ambiente tem sido tão ausente em medidas protetivas e negligente em todas as suas obrigações, basta lembrar das queimadas criminosas na Amazônia no primeiro semestre de 2019.

O ano de 2020 começou com problemas que explicitam tanta irresponsabilidade ambiental: a pandemia da COVID-19. Não foi o aquecimento global que causou a pandemia, obviamente, mas houve um desequilíbrio na cadeia alimentar para que um vírus, que não era capaz de fazer parte do organismo humano, em meses produzisse tantos mortos. 

Nessa mesma conjuntura, é possível fazer a análise Neomalthusiana de que o crescimento populacional descontrolado incentiva o desequilíbrio ambiental. A invasão de espaços naturais silvestres pela espécie humana pode desencadear inúmeras doenças infectocontagiosas. Essa pandemia que todos vivemos é só mais um exemplo da violência que o homem pratica contra a  natureza, esquecendo que ele faz parte dela.

Ainda durante a pandemia, os índices de desmatamento voltaram a aumentar em março de 2020 (segundo dados do IMAZON) e todo o foco mundial em uma possível cura para o Coronavírus está servindo de política do Pão e Circo para todos os telespectadores mundiais assustados com o micromundo e esquecidos de todos os outros grandes problemas que podem agravar ainda mais o caos que já se vive. 

Ao final de maio, o Brasil entra no seu inverno, o ar fica mais seco e a Amazônia encara o seu famoso “verão amazônico” com as queimadas mais intensas, o que serve de desculpa para os grandes madeireiros que degradam a região e já se aproveitam da menor fiscalização estatal em tempos de pandemia. 

É nesse mesmo cenário que, mais uma vez, é perceptível o quanto os assuntos estão interligados, visto que o aumento das queimadas gera um aumento de problemas respiratórios na população e, como consequência, ocorre o agravamento da superlotação do sistema público de saúde que já está quase todo comprometido, a ponto de quebrar, em muitas cidades da Amazônia no combate ao COVID-19 e ainda aumenta os número de infectados na região. Não se pode desvencilhar a conservação do meio ambiente da saúde humana.

“A floresta que segura o mundo”, disse o cacique Raoni da etnia Kayapó, indicado ao Nobel da Paz, pertencente aos povos da floresta e ativista contra as populações que se apropriam, abusivamente, dela. De fato, em mais um Dia Mundial do Meio Ambiente, em meio a uma crise sanitária, econômica e social, todo cidadão consciente percebeu, ainda que a força, que a floresta, sendo metáfora para o ambiente, quando é ferida, abre um abismo em qualquer bem-estar humano.

Nossa ambição cresceu com a explosão demográfica das populações e sequestrou o Planeta, reduzindo a muitos que amamos a pó da terra. A pandemia explicitou muitos problemas que a humanidade insistia em esconder e, ao mesmo, tempo tem sido usada para esconder outros, mas a sabedoria ética de cada ser humano que se permitir pensar, minimamente, concluirá que chegamos a mais um dia 5 de junho com mais motivos para conjugar os 5 R’s (reutilizar, reciclar, reduzir, repensar e recusar) no dia a dia e agir. Feliz novo dia de pensar no meio ambiente.