Uma relação de custo benefício entre plástico e vidro



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23 de abril de 2019 - 21:30


A reciclagem normalmente é feita por empresas e/ou associações de trabalhadores, cujo objetivo é obter lucro e economia e contribuir para a preservação do meio ambiente. As empresas investem na reciclagem já que comprar o material reciclado torna-se mais barato do que comprar a matéria prima virgem, já as associações investem por ser um meio de dar destinação adequada para o lixo e ainda gerar emprego e renda para os integrantes.

Um dos materiais mais fáceis de se reciclar é o plástico, por apresentar infinitas formas de reciclagem, além de poder ser usado na indústria para dar forma a novos produtos ou embalagens e no artesanato onde é transformado em diversos objetos dependendo da criatividade do artesão. O vidro, por sua vez, tem o maior potencial de reciclagem entre todos os materiais, sendo possível ser 100% reaproveitado e seu reuso também é muito diversificado devido adquirir infinitas novas formas e utilidades.

O plástico pode passar por processos manuais de reciclagem, sendo transformado em objetos de decoração como luminárias e vasos ou utensílios domésticos como vassouras e móveis para a casa. Na indústria, o plástico é reciclado de acordo com seu tipo, os métodos de reciclagem são os seguintes:

RECICLAGEM ENERGÉTICA: o plástico é queimado, liberando um calor elevado que é aproveitado em forma de energia, porém, esta prática resulta em emissão de CO 2, que contribui para o agravamento do efeito estufa. Segundo o relatório da International Solid Waster Association (ISWA), o método de reciclagem energética foi o que mais cresceu no mundo, passando de US$ 1,5 bilhão de lucro em 2008 para US$ 11,5 bilhões em 2013. No Brasil a única usina de reciclagem energética existente é experimental, fica localizada no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e é chamada Usina Verde.

RECICLAGEM QUÍMICA: o plástico sofre reações químicas, onde é transformado em outro tipo de plástico para sua utilização na indústria, como, por exemplo, a reciclagem de PET para a produção de resina de poliéster, usada na fabricação de fibras para a confecção de roupas. Na reciclagem química os resíduos do plástico são processados e alterados para se transformar em matéria prima, ocorre a separação das moléculas que compõem o material. O principal objetivo da reciclagem química é evitar que os resíduos presentes nas embalagens plásticas sejam jogados na natureza e, por consequência, contaminem a flora, fauna e rios, pois esses resíduos não se decompõem naturalmente.

RECICLAGEM MECÂNICA: é a mais utilizada no Brasil e a mais barata também, além de manter uma boa qualidade do produto. Os plásticos são submetidos à processos físicos que podem dar origem e qualquer outro produto a partir do material obtido. O plástico passa por processos de trituração, lavagem e o reprocessamento dos resíduos onde o plástico triturado ganha uma nova forma. Segundo o site ecycle.com.br, em 2010 foram reciclados 953 mil toneladas de plástico, 19,4% desse material foi reciclado mecanicamente.

Apesar da perda de qualidade a cada novo processo de reciclagem, o plástico reciclado mecanicamente exige menos investimento e produz lucros mais elevados para o produto final e a qualidade perdida é pouca, assim um mesmo objeto pode ser reciclado várias vezes antes de se tornar inutilizável.

Por sua vez, o vidro tem um processo de reciclagem mais fácil, tornando o custo menor, e possibilidade de alcançar 100% de aproveitamento do material descartado, não há prejuízo para quem escolhe investir na reciclagem do vidro. Em 2015, no portal de notícias G1, foi publicada uma matéria mostrando como a reciclagem do vidro pode ser lucrativa, dando um exemplo de um empresário chamado Sebastião Pereira, dono de uma fábrica de peças de vidro (tampos de mesa, espelhos e objetos de decoração). Todo mês a fábrica costumava descartar 15 toneladas de sobras de vidro que não eram utilizáveis na produção, esse descarte custava R$3 mil para dar destinação adequada às sobras, transportando-as até um aterro sanitário. Porém, após mudanças no gerenciamento, as sobras de vidro começaram a ser vendidas à uma empresa de reciclagem gerando um lucro de R$1.500 para a empresa. O vidro vendido à empresa de reciclagem é transformado em peças de decoração e rende R$270 mil por mês para a empresa, e suas sobras também são vendidas à outra empresa que fabrica chapas de vidro, ou seja, tudo pode ser reaproveitado.

Quando se fala de uma relação de custo benefício entre a reciclagem do vidro e do plástico é difícil escolher um lado. Em questão de lucro, ambos os materiais proporcionam uma boa renda final para o produto reciclado. Quanto aos processos de reciclagem, o plástico pode ser mais versátil que o vidro e, dependendo do processo escolhido, pode ser mais fácil de se reciclar também, pois ambos podem ser reciclados em casa mesmo, em um processo de DIY (Do It Yourself – faça você mesmo) por exemplo, mas o plástico apresenta maior praticidade na manipulação. Em suma, é possível reciclar ambos os materiais e a partir disso obter um determinado lucro, de modo a contribuir para a preservação do meio ambiente enquanto é possível complementar ou até mesmo adquirir uma renda.