Mais um ano termina e o desperdício continua



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7 de janeiro de 2020 - 20:00


Todo final de ano é reinaugurado um consumismo exacerbado e camuflado pelo ideal de confraternização em família e entre amigos. As propagandas mercadológicas costumam naturalizar um desperdício necessário para utilizar todo o excedente produzido pelas grandes indústrias que aquecem o mercado ao final de cada ano. O que menos importa é a confraternização, pois o enfoque gira em torno de uma troca de presentes cada vez mais suntuosa, por exemplo.

A ideia de sustentabilidade, termo criado há quase meio século na primeira conferência ambiental do mundo, ainda não é usado nem pela metade das grandes empresas nessa época. Lucrar é o mandamento. Na hora de embalar os presentes, quase ninguém pensa em não lacrar as caixas e os laços de forma inviolável para que possam ser reutilizados. Na hora da ceia, fica a dúvida se gasta um pouco mais de água e energia lavando os pratos no dia de comemoração ou se usa tudo descartável e alimenta a grande indústria de materiais plásticos que vem crescendo no planeta; o que escolher? Na fartura das mesas, a regra é impressionar pela quantidade, gastar o que não se tem e oferecer o excesso, sem lembrar, nessas horas, que há muitos que não têm. Talvez os dias simplesmente passem por cada um de nós com um efeito anestésico contra os reais problemas, fissurados não pela magia do reencontro e das comemorações, mas pelo consumo e pela posse que cabe dentro de cada potente real dos nossos bolsos. 

Claramente, não há responsabilidade ambiental por grande parte de quem comemora um Natal em família ou pretende iniciar um novo ano cheio de esperanças e renovações no porvir. De acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro, na festa da virada de 2018, cariocas e turistas deixaram na praia de Copacabana pouco mais de 285 toneladas de lixo, foi a festa mais poluidora do mundo. O nível de degradação só aumenta, como se já não bastassem os fogos de artifício coloridos e barulhentos que desesperam e matam animais domésticos e silvestres todos os anos; ou ainda, o tanto de eletrônicos deixados de escanteio sem defeito algum, mas que receberam melhores versões de si para serem substituídos no Natal, ou os 1,5 bilhão de alimentos que são desperdiçados anualmente pela população mundial, segundo publicações da Exame. 

Uma única pessoa não mudará o mundo, um único dia não salvará o planeta, uma ação solitária não será a responsável por todas as transformações necessárias. Pelo contrário, a união de quem tem responsabilidade e preocupa-se com as próximas décadas é fundamental. Nesse contexto, o pensamento e a conduta sustentável em datas comemorativas que costumam superaquecer o mercado seriam uma ajuda enorme e ousada a muitos problemas ambientais que enfrentamos diariamente, os mesmos que para alguns nem existe. 

Que tal repensar se é realmente necessário todos os pratos descartáveis da lista? Não dá pra reutilizá-los ou alugar alguns de vidro? Que tal não comprar mais e mais roupas para convencer a si que tem look novinho para a virada do ano, caso suas roupas ainda estejam muito boas e algumas nem foram usadas ainda? Que tal gastar alguns neurônios para realmente diminuir a quantidade de lixo que costuma ser produzida na sua casa ou na sua festa de fim de ano? Mas todas essas preocupações precisam permanecer para cada comemoração que você participar, não somente as de final de ano. Aliás, que tal colocar entre as metas para 2020 os 5 Rs: reduzir, reutilizar, reciclar, repensar, recusar?

É justamente com esse tipo de responsabilidade e preocupação que o Destino Sustentável realiza seus projetos socioambientais. O último desafio do ano foi executar uma ação solidária no bairro Jardim Modelo, em Castanhal, sem utilizar-se de copos e pratos descartáveis. Afinal, seria hipocrisia contrariar os ideais que toda a equipe se dispõe a divulgar por aqui. A solução foi utilizar copos emprestados dos próprios moradores e devolvê-los limpos ao final da ação, mostrando, por meio de atitudes, que é possível recriar um ambiente e acreditar no amanhã mais generoso com a natureza que foi tão degradada e desrespeitada nesse ano de 2019 pelos cidadãos e pelos gestores nacionais. Foi assim, portanto, que a equipe terminou seu ano e sua agenda de responsabilidades sociais, repensando e sendo desafiada a defender da melhor forma e com novas atitudes as ideias que dão forma ao projeto de sustentabilidade, causa essa que para acontecer precisa desenvolver a esfera econômica, ambiental e social.