Sal de cozinha é grande fonte de microplástico



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10 de outubro de 2019 - 20:30


Em outubro de 2018 foi divulgada uma nova análise feita por pesquisadores sul coreanos em parceria com o Greenpeace do leste asiático, na qual foi constatada a presença de microplástico em 36 das 39 marcas de sal consumidas no mundo. A descoberta contabilizou que cada ser humano ingere cerca de 2000 microplásticos anuais só por ingestão de sal, o que preocupou as entidades globais de crescimento sustentável.

Ainda há pouquíssimos estudos a respeito dos reflexos na saúde humana a partir da ingestão de microplásticos, mas é certo que esse material é acumulado como os metais pesados ao longo da cadeia alimentar, encontrando-se em maior quantidade nos predadores de topo, nesse caso, os seres humanos, já que os plásticos em minúsculas porções são ingeridos por peixes e crustáceos nos mares e oceanos. Nestes últimos, as toxinas presentes no plástico pode causar esterilidade e comprometer o desenvolvimento locomotor de acordo com estudos divulgados no G1.

Nesse contexto, o sal não refinado retirado dos mares é o mais contaminado por microplásticos, visto que a etapa de centrifugação não é usada nesse tipo de sal, o que pode amenizar tal contaminação por ingestão humana, mas não inibir, afinal após o sal marinho, o sal refinado é o segundo mais contaminado por microplásticos. De acordo com o União Internacional para a Conservação da Natureza, cerca de um terço do plástico lançado, anualmente, no oceano é micro, o que dificulta a identificação e os estudos que sugiram tratamentos alternativos para esse problema.

Em virtude de toda a repercussão mundial alcançada pelo debate sobre o elevado índice de plástico nos oceanos, as empresas brasileiras de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos adiantaram-se e prometeram, voluntariamente, substituir em seus produtos as partículas plásticas sólidas insolúveis por materiais biodegradáveis, como as sementes de maracujá ou de kiwi esfoliantes, ao invés dos microplásticos antes utilizados. Além disso, esse setor do mercado, antecipou-se em investir na via legal, por meio da lei 6825, de 2016, que proíbe o uso de substâncias plásticas em produtos de higiene e cosméticos no país. Sem dúvida, é um passo rumo ao progresso nacional.

No entanto, tendo em vista as economias mais desenvolvidas que combatem esse tipo de poluição, é necessário, em conjunto com medidas já efetuadas no país, investir no tratamento de água adequado o qual não permita o despejo de plástico macroscópico, como sacolas plásticas e material descartável, em rios e lagos. Somente esse trabalho conjunto poderá potencializar o combate a essa poluição ambiental e prevenir futuros problemas de saúde à humanidade.

É fato que ainda se necessita de um maior número de pesquisas para confirmar ou inaugurar certas hipóteses a respeito dos prejuízos causados pela poluição com microplásticos no planeta e no organismo humano, porém cabe aos habitantes deste planeta a consciência ambiental de que é necessário conservá-lo para as futuras gerações e não somente aproveitá-lo, mas também existirem.