Pelo Nosso Futuro Comum



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17 de fevereiro de 2019 - 0:33

A educação ambiental é o alicerce para desenvolver um mundo sustentável, pois a consciência tem a capacidade de preservar e de reconhecer as diversas formas de vida como detentoras de um espaço e, mais do que nunca, responsáveis pelo futuro. A sustentabilidade foi um conceito debatido pela primeira vez, em 1987, por Volker Hauff no documento Nosso Futuro Comum, o qual a caracterizou como a postura humana responsável por apropriar-se da natureza, a fim de suprir suas necessidades presentes sem comprometer as gerações futuras. No entanto, não há possibilidade dessa postura ser praticada e fazer parte da realidade nacional sem se investir em consciência ambiental.

Dependendo do estado e da região do país, é muito distinta a forma e a intensidade com que se preserva o meio ambiente. Curitiba é a cidade mais sustentável do mundo, premiada em 2010, em Estocolmo, na Conferência Mundial de Sustentabilidade após executar na capital uma série de medidas que articularam a preservação com o desenvolvimento da cidade. Basta caminhar um pouco pela cidade para perceber que o grau de arborização dela é incomparável até mesmo com cidades amazônicas, as quais já foram consideradas pela revista Galileu as menos arborizadas do país, algo preocupante; além disso, o estádio do Atlético Paranaense reutiliza a água da chuva, possui vagas reservadas para carros que emitem menos poluentes e para outros que oferecem carona, diminuindo o fluxo de automóveis em circulação. Dessa forma, o contraste entre as capitais é perceptível, no quesito sustentabilidade e preservação ambiental.

A lei 9795 de 1999 definiu a Política Nacional de Educação Ambiental e estabeleceu essa vertente de ensino como uma componente essencial e permanente em todos os níveis e modalidades do processo educativo. Há, também, outros projetos admiráveis no centro-sul como a escola municipal de Pirenópolis-GO que cultivou uma horta comunitária no próprio terreno e hoje ela é a base da merenda escolar; há também uma escola municipal em MG que recolhe os materiais dos alunos do ano anterior, recicla os papéis e distribui aos alunos mais carentes. Por outro lado, essa política ainda é muito distante para a maioria das cidades nortistas, ainda que muitos projetos tenham surgido na última década; o que aparenta é que os cidadãos esqueceram da real importância de preservar o seu lugar, a sua história e o futuro. A maioria dos projetos que surgiram nesse âmbito são de origem não governamental, de cidadãos que cansaram de somente ver e nada fazer para ceifar toda a destruição; existem escolas municipais em Belém que também cultivam sua própria horta, como a Escola Estadual Maria Luiza da Costa Rêgo e a Escola Estadual Eunice Weaver, mas fazem parte de uma iniciativa do professor de ciências como orientador e não de uma conscientização conjunta que abarca as demais escolas, num só projeto.

A consciência ambiental é tão negligenciada pelo Estado e pela comunidade que basta lembrar, rapidamente, dos grandes projetos minerais que seguem degradando o Brasil e o corpo civil pouco preocupa-se em pressionar as esferas responsáveis por barrá-los e puni-los. Em janeiro deste ano aconteceu o crime ambiental de Brumadinho, que é um grande exemplo do quanto o Brasil ainda carece de educação ambiental, perdemos parte da nossa flora e fauna nativas, perdemos centenas de vidas e o pior, foi o segundo crime ambiental cometido pela mesma empresa (Vale) em poucos anos- o primeiro foi a tragédia de Mariana, em 2015- no mesmo estado, mas todas as outras cidades que vivem essa ameaça mineral seguem intocadas pela preocupação da sociedade comum, pois a consciência não é a realidade de grande parte da população. Sem dúvida, uma missão de esperança nas novas gerações.

A escola tem uma enorme responsabilidade quando falamos de conhecimento associado à consciência, não somente ela, sabe-se, porém que a consciência ambiental requer uma instrução científica pouquíssimas vezes encontrada no seio familiar, afinal o estímulo à preservação e o conhecimento florescem no campo do entendimento, quando as causas e as consequências convencem o cidadão da necessidade de viver harmoniosamente com a natureza, sem pedir nada em troca, pois o maior bem ela nos assiste: a vida.