O ciclo dos metais pesados



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16 de março de 2019 - 21:59


O descarte de pilhas, baterias e de materiais eletrônicos em lixo doméstico é, terminantemente, proibido em território nacional. Essa proibição deve-se ao fato desses equipamentos terem componentes como mercúrio, cádmio, manganês e outros metais pesados que podem gerar a bioacumulação.

O fenômeno da magnificação trófica ou bioacumulação consiste na aglomeração de metais pesados ao longo da cadeia alimentar devido à contaminação dos solos e dos lençóis freáticos. O homem, por ser predador de topo, isto é, o último predador de um teia alimentar (segmento da cadeia que contém uma ordem de consumidores e produtor), é o mais afetado por esse fenômeno e possui a maior quantidade acumulada de metais em seu corpo, quando contaminado.

De acordo com a Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, da Universidade Federal de Santa Maria, a bioacumulação de mercúrio no corpo humano pode prejudicar o cérebro, o fígado, o desenvolvimento de fetos e distúrbios neuropsiquiátricos, pois é facilmente absorvido pelas vias respiratórias, sob forma de vapor, e pela pele. Já o cádmio pode desencadear câncer de pulmão, problemas gastrointestinais e complicações na reprodução e na formação fetal, além de problemas renais. Enquanto o chumbo pode comprometer a fertilidade, causar aborto espontâneo, alterações no sistema nervoso fetal e anemia. Isso tudo só ratifica o principal risco do descarte irregular de baterias, de pilhas e de outros materiais tecnológicos: o comprometimento da saúde humana.

As peças de equipamentos tecnológicos podem ser reutilizadas por ONGs que prestam serviços sociais de reaproveitamento de peças de computadores e de celulares, mas quando não é mais possível reutilizar, o plástico e os metais advindos delas precisam ser reciclados. Essa reciclagem deveria ser executada pela empresa produtora, o que é determinado por lei estadual no Rio Grande do Sul – Lei Nº 11.019, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997-, mas é possível, em outros estados, ter acesso a postos de arrecadação nos supermercados, além de conseguir informações sobre esse serviço por meio do SAC da empresa produtora.

Estima-se que o Brasil produz cerca de 800 milhões de pilhas por ano, segundo dados da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e estima-se que cada brasileiro consuma pelo menos de 5 pilhas comuns por ano, então imagine se toda essa quantidade de material for descartada no meio ambiente de maneira irresponsável. Os prejuízos a médio e a longo prazo são muitos, por isso, preciso repensar sobre o seu uso e o seu descarte.

As atitudes sustentáveis estão em nossas mãos e repassar tais informações sobre o descarte correto de equipamentos que contenham metais pesados é uma atitude cidadã de responsabilidade social necessária. O destino correto pode ser uma alternativa para preservar as gerações futuras e os prejuízos a longo prazo para a nossa própria geração.