Nossas matas têm menos vida e mais dores



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5 de maio de 2019 - 10:00


O ano de 2019 começou com preocupantes notícias ao serem escolhidos os ministros do mais novo governo de Jair Bolsonaro e a notícia de que o Ministério da Agricultura seria fundido com o Ministério do Meio Ambiente. Graças à repercussão negativa da tentativa de fundir os ministérios, isso não aconteceu. Mas foi a primeira prova cabal da falta de preocupação do Governo Federal com o meio ambiente. Até 2017, o Brasil diminuiu em 21% o desmatamento na Amazônia legal, de acordo com o site do Governo Federal. Porém, em 2019 o desmatamento voltou a crescer e necessita de políticas públicas urgentes de combate.

Na contramão de todos esses acontecimentos, o presidente da República assumiu o mandato anunciando que a continuidade do Brasil no Acordo de Paris seria algo revisto por seu governo e que, inclusive, o país abriria mão de sediar a Conferência das Partes, um evento mundial realizado anualmente que discute as condições climáticas e a preservação da biodiversidade. Segundo o próprio presidente, o qual divulgou em seu twitter, o Brasil está com limitação orçamentária e sediar esse tipo de evento necessita de grandes e desnecessários recursos financeiros, quando, na verdade, o excelentíssimo esquece que ao sediar tal evento os mercados internos, formal e informal, são superaquecidos, gerando poder de compra aos seus cidadãos e posteriores lucros extras para a nação.

Jair Bolsonaro alega que há, também, a possibilidade do país não ser mais assinante do Acordo de Paris, o qual objetiva a redução do aumento anual da temperatura mundial e o combate ao aquecimento global, pois ele considera essa preocupação com o meio ambiente como uma ameaça para o desenvolvimento econômico nacional. Visivelmente, e com todo respeito, nosso presidente não conhece o significado da palavra “sustentabilidade”. Isso é tudo o que a bancada ruralista deseja que aconteça por mais um mandato, que as fronteiras agrícolas interiorizem-se ainda mais e alcancem as tão disputadas reservas ambientais, como já vem acontecendo e ameaçando os povos indígenas, a exemplo da reserva Raposa Serra do Sol em Roraima, onde é crescente o conflito entre indígenas e posseiros, ainda que suas terras estejam demarcadas e sejam de proteção permanente.

Em fevereiro deste ano, o IBAMA perdeu o poder de fiscalização por meio do Serviço Florestal Brasileiro para o Ministério da Agricultura, chefiado por Tereza Cristina, a mesma defensora do uso indiscriminado de agrotóxicos nos produtos agrícolas brasileiros e quem concedeu incentivos fiscais à JBS, no Mato Grosso do Sul, onde sua família possui uma forte empresa responsável pelo comércio de proteína animal, de acordo com a Folha de São Paulo. Esse mesmo órgão segue com ameaças, recebendo, na semana passada, cortes orçamentários de 20 bilhões de reais, noticiado nas maiores imprensas nacionais. Essa corrida da presidência contra o IBAMA é justificada pelo que o Executivo chama de “Indústria da multa”. Segundo ele, o órgão federal emitiu multas em excesso e “desnecessárias”, as quais possibilitaram uma corrupção interna responsável pelo não pagamento da multa em sua completude e pela divisão entre fiscais de um valor negociado entre as partes envolvidas.

O Brasil, segundo a ONG Witness, é o país com o maior número de homicídios no campo pelo quinto ano consecutivo, onde 40% do total, corresponde a indígenas assassinados pelo agronegócio. No país em que o desrespeito à vida humana e vegetal existe desde os primórdios, pode ser compreensível a naturalidade a partir de todas essas ameaças e posicionamentos governamentais, mas é preciso de consciência, respeito e preocupação. O IBAMA, responsável por programas de conscientização ambiental da população brasileira, está sendo ameaçado dentro de sua repartição e externamente, no orçamento geral, mas a responsabilidade que cada um dos cidadãos brasileiros possui com a preservação de sua biodiversidade deve ser executada diariamente, nos debates políticos e nas ações domiciliares (como uma simples coleta seletiva ou na redução de desperdícios). O país é guiado pelos três poderes, mas em cada linha da Democracia há o protagonismo de sua nação, de todos os eleitores e de todos os seres pensantes os quais podem combater os problemas climáticos e a destruição de nossas matas, que tanto dói na cadeia alimentar e no equilíbrio do ecossistema, isso tudo sim deve ser “pop”.