Mata Atlântica: resquícios de um bioma em extinção



Por
29 de maio de 2019 - 9:00


Atlântida é o continente misterioso perdido no fundo do oceano de nome homônimo segundo a mitologia grega. Não é mera coincidência o Brasil ser banhado por tal oceano e possuir a Mata Atlântica, uma floresta riquíssima em biodiversidade e repleta de encantos naturais paradisíacos. No entanto, o que antes era predominante, hoje está quase completamente perdido, pois de acordo com a WWF (World Wide Fund of nature), o território brasileiro possui apenas 7% da floresta atlântica original.

No processo de povoamento e posterior urbanização das maiores cidades brasileiras, a concentração populacional se estabeleceu no litoral, onde esse bioma é encontrado, degradando-o, sem precedentes, em nome do desenvolvimento econômico. Essa ação antrópica foi a responsável por eliminar quase a totalidade da Mata Atlântica nativa que compunha a costa brasileira, do Rio Grande do Norte à parte setentrional do Rio Grande do Sul. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a mata atlântica possui metade de suas atuais reservas como resultado de intervenções de reflorestamento, ação essa que segue dentre os objetivos do Componente Mata Atlântica, um projeto em parceria com o Governo Alemão e com organizações não governamentais visando a elaboração de estratégias de manejo e de preservação das áreas ambientais o qual surgiu em 2004.

O livro Metamorfoses florestais, de Ana Bustamante e de Diogo Cabral, traz a informação de que somente 9% da floresta existente nesse século pertence às áreas de preservação oficiais. Essa realidade é um reflexo histórico do descuido nacional com sua permanência e sua importância, fenômeno acentuado com as medidas tomadas na atual gestão federal.

Dia 27 de maio é o dia nacional da Floresta Atlântica e tem por objetivo proporcionar a reflexão social acerca da necessidade de preservação do que restou desse bioma tão degradado desde a primeira atividade econômica da antiga colônia portuguesa, incutir na mentalidade da população brasileira a consciência ambiental e repensar meios de manter o cuidado necessário com a nossa querida Atlântica. Conscientizar é o desafio do século para o país que que há quase 5 meses destruiu mais ainda o lar do mico leão dourado e da jaguatirica, ambas espécies ameaçadas de extinção, com o rompimento de uma nova barragem em MG. As águas do rio Doce carregam consigo muitos genes da fauna e da flora perdidos, se é que ainda haverá vida nesse rio.

Todavia, na contramão de toda a desassistência na conservação dos parques florestais já afetados, houve a criação do Instituto Terra por Leida Salgado e Sebastião Salgado, em 1998, no município mineiro de Aimorés. Atualmente, o instituto já plantou mais de 1,5 milhão de mudas e recuperou cerca de 600 mil hectares de floresta, além de promover educação ambiental a partir de projetos internos ao instituto como a escolinha para crianças e a formação anual de 10 jovens técnicos capacitados ao reflorestamento sustentável. A Terra precisa de mais institutos que renovem a sua identidade como o da família Salgado, o qual hoje é um ong que resgata valores sociais no país, mostrando-se proativa na responsabilidade de conservar a Floresta Atlântica.

Respeitar o espaço reservado à fauna e à flora de tal bioma é o mínimo que cada cidadão brasileiro pode fazer para garantir o equilíbrio ecológico e o prosseguimento da vida de forma harmoniosa, seja na cidade ou no campo. O mês de maio traz consigo dias importantes de repensar a postura diária diante da natureza e a partir deste é preciso encorajar o núcleo social para que o respeito e a conservação de qualquer espécie pertencente à natureza, em especial à Mata Atlântica, tornem-se realidade das atuais e futuras gerações. Não deixem a Atlântica se tornar desconhecida aos olhos humanos do porvir.