Mares de plástico: a asfixia da vida marinha



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18 de junho de 2019 - 20:00


“Há mais coisa entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”, essa frase foi produzida de forma inteligente por William Shakespeare e ratifica a grandiosidade da natureza que circunda o ser humano. Porém, mesmo diante do desconhecido, as ações antrópicas conseguem destruir o equilíbrio natural que todos os ecossistemas precisam para o seu bom funcionamento. Diante de tal violência constante à biosfera, entre o céu e a terra existem três oceanos enormes os quais abrigam incontáveis espécies, sendo estas as vítimas das alterações biológicas, químicas e físicas resultantes de atividades humanas degradantes, como a poluição por materiais plásticos.

Cientistas australianos e ingleses estimam que em meados de 2050, cerca de 99% dos animais marinhos terão ingerido plástico como alimento, ato que inviabiliza, quando em grande quantidade, o processo digestório de seu organismo, levando a óbito o ser vivo. Caso esse cenário seja repetido com alta frequência, algumas espécies desaparecerão. Atualmente, já se descobriu a presença de plástico no organismo de 90% das aves marinhas, segundo o mesmo grupo de pesquisadores, o que expõe a ponta do iceberg para a população mundial, um problema antes pouquíssimo conhecido, a poluição dos oceanos por plástico descartado erroneamente nas regiões costeiras do globo. Esse lixo todo é mostrado no documentário Oceanos de Plástico, da netflix, por meio de filmagens aéreas das chamadas “Ilhas de plástico” do Pacífico, um aglomerado de lixo que vem, principalmente da China no último século, mas não retira a parcela de culpa dos demais países nesse problema.

Dia 8 de junho foi determinado como dia dos oceanos e em virtude disso, é necessário pensar todas as notícias que estão expostas a cada um de nós, de que forma é possível cuidar de tal problemática e quais os agravantes dela. A verdade é que, devido o plástico ter como matéria prima o petróleo, muitas gerações ainda virão e o mesmo lixo depositado nos oceanos ainda estará por lá. Além da acumulação desse material nos organismos vivos e o comprometimento da digestão, tais polímeros, ao acumularem-se na superfície marinha, formam camadas de sombreamento que impedem a passagem de luz e inviabilizam a fotossíntese, primariamente, das algas mais profundas, atingindo a base da cadeia alimentar. Nesse contexto, o documentário Nosso Planeta expõe que a vegetação marinha mais interna é capaz de absorver cinco vezes mais dióxido de carbono do que as árvores terrestres, o que auxilia muito no impedimento da intensificação do aquecimento global, o qual atinge diretamente as calotas polares e uma outra parte da cadeia alimentar aquática. Por isso, tal poluição é tão danosa.

Ao contrário do que pode pensar a maioria, os materiais plásticos podem sim ser substituídos ou, por hora, suavizado o seu impacto com a utilização intercalada de biopolímeros já descobertos pela ciência, pois esses materiais são produzidos por seres vivos e por isso conseguem ser decompostos com maior facilidade no ambiente. Além disso, no início de 2019, um grupo de pesquisadores espanhóis descobriu a existência de bactérias que degradam 99% dos hidrocarbonetos do petróleo e de incêndios florestais, o que possibilita a limpeza dos oceanos tão poluídos e assegura uma melhor qualidade de vida para os seres desse ecossistema.

Esse problema ambiental cresce descontroladamente, mesmo que o crescimento vegetativo de muitos países já tenha estabilizado, porque a produção de lixo é crescente e o sistema de tratamento para eles nos maiores países do globo é precário. No documentário Oceanos de Plástico, também, é exposto um estudo recente no qual a sociedade científica descobriu a causa de determinados cânceres associada à liberação de substância nocivas à saúde devido o uso errôneo de materiais plásticos, pois ele pode sofrer alterações microscópicas com a alteração das condições  ambientes e à medida que esse plástico é inserido na cadeia alimentar marinha, a qual também faz parte da alimentação humana, esses animais, como vítimas da poluição humana podem permitir o acesso humano às substâncias nocivas.

No dia mundial de cuidado com os oceanos, é fundamental respeitá-los como componentes do planeta Terra e mantenedores na vida humana, pois grande parte da matéria orgânica e do oxigênio que consumimos vêm dos processos biológicos de obtenção de energia que os oceanos produzem. Cuidar dos oceanos é cuidar da vida e a sociedade humana necessita dar um jeito nesse problema da maneira mais imediata possível, seja simplesmente não deixando o seu lixo nas praias, porque cada um é responsável pelo seu lixo produzido, ou persistindo na educação ambiental das novas gerações a esse respeito, ou ainda, cobrando das autoridades locais um destino adequado ao lixo da população e uma limpeza periódica em orlas marinhas. Todo cidadão é responsável pelo combate a essa problemática, pois o mundo é um todo com cada uma de suas partes e, por isso, é preciso cuidar dos oceanos como efetivos lares de convívio sustentável.