Copos Reutilizáveis: um processo de conscientização



Por
2 de abril de 2019 - 23:03


Em 2019 centenas de estabelecimentos, no Brasil, ofereceram na virada de ano novo copos retornáveis em promoções vantajosas para o consumidor, a fim de não priorizar os copos descartáveis para os clientes e engajar-se no mundo tão promissor do consumo ecológico. A política da Boa Compra começou a ser praticada pelas empresas, principalmente, a partir da segunda década do século XXI, consiste em vender um produto a partir das vantagens de uma produção e de uma propaganda sustentável, atraindo clientes que já possuem uma determinada consciência ecológica e outras vantagens, além de, é claro, contribuir com a preservação do meio ambiente.

A partir dessa análise, percebe-se que a preocupação acerca de tal engajamento tem colhido bons frutos, principalmente no âmbito dos descartáveis, visto que mesmo ainda sendo maioria, a tentativa de diminuição do seu uso é crescente. Para enxergar isso, basta atravessar para a Ilha do Combú localizada a cerca de 15 minutos de barco do município de Belém, onde há estabelecimentos que cobram 1 real pela água aos seus clientes que possuírem copo reutilizável ou utilizarem os oferecidos. Esse tipo de comportamento apresenta crescimento em virtude da grande quantidade de plástico descartada de forma inadequada e dos inúmeros malefícios ao meio ambiente, dentre eles, destaca-se a formação de ilhas de plástico no Oceano Pacífico.

Nessa conjuntura, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, são consumidos cerca de 720 milhões de copos descartáveis, diariamente, o que seria capaz de dar uma volta e meia ao redor do planeta Terra. Esse dado é assustador e, juntamente a ele, existe a necessidade de elaborar propostas individuais e coletivas para sanar o problema da poluição global com o uso de descartáveis.

Os copos descartáveis, aparentemente inofensivos, ao contrário do que os mais radicais afirmam, é reciclável, porém economicamente é desvantajoso reciclá-los. Isso acontece porque, segundo as pesquisas da plataforma eCycle, o quilo do plástico que é a matéria prima dos copos descartáveis, no país, é vendido em torno de R$0,20 e necessita de 500 copos descartáveis de 200ml para totalizar um quilo de material, o que se torna economicamente inviável reciclá-lo. Além disso, os copos descartáveis, costumeiramente, são recebidos sujos, o que pode apresentar um risco de contaminação do restante do material reciclável, dependendo do fim e do modo que se usou determinado copo. Por esses motivos, principalmente, a quantidade de lixo produzido a partir desse tipo de consumo só aumenta, sem assegurar a reciclagem necessária e permitindo que o destino inadequado, até mesmo, intoxique a cadeia alimentar, à medida que serve de alimento para as espécies marinhas nos oceanos.

Os polímeros são a base da composição do material dos copos descartáveis, sendo um material derivado do petróleo e não biodegradável. Se despejado em alto mar, acumula e vira presa fácil para inúmeras espécies que não distinguem comida de lixo humano, alimentando-se deles. Os microplásticos podem, com o tempo, absorver substâncias tóxicas que acumulam na teia alimentar e alcançam os predadores do topo, neste caso, os seres humanos, intoxicando-os. Por isso, é importantíssimo investir em fontes alternativas que permitam a substituição dos copos descartáveis, afinal, tudo o que se descarta, se acumulado, vira excesso e problematiza o tratamento no local.

As ofertas dos estabelecimentos brasileiros a fim de reduzir o uso de materiais descartáveis e, portanto, cumulativos, é uma excelente ideia para iniciar esse processo de conscientização. O Reino Unido, por exemplo, já anunciou há quase dois anos que vai aumentar o investimento do asfaltamento de ruas com material mais resistente, composto por plástico retirado dos oceanos. Quem sabe um dia o Brasil possa investir na mesma estratégia, cultivar ambientes “zero descartáveis” e ser referência no combate ao descarte inadequado desse tipo de material.

O manejo e o pensamento sustentável são as duas leis do desenvolvimento saudável na contemporaneidade, o que legitima a necessidade de se estabelecer metas e estratégias para alcançar as primeiras, a fim de assegurar a existência das gerações futuras. Portanto, é necessário repensar o consumo deste material e considerar que o descarte nem sempre é necessário.