Agrotóxico: Veneno sem escolha ou escolha sem veneno?



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30 de julho de 2019 - 18:30


Na última semana, a liberação de agrotóxicos no país acelerou devido ao jogo de interesses contido nas entranhas dos três poderes nacionais. O atual governo já liberou, em 2019, 239 tipos de agrotóxicos, sendo que, segundo o Greenpeace, 25% desses produtos liberados no Brasil já são proibidos na Europa há 15 anos. Estamos praticando o auto-envenenamento, sabemos, mas é questão de necessidade, comer para não morrer ou alimentar a morte?

A Organização das Nações Unidas afirma que, anualmente, cerca de 200 mil pessoas morrem intoxicadas por agrotóxicos, ainda que para os grandes estudiosos não exista uma necessidade real do uso de pesticidas. O Brasil está caminhando na contramão das grandes economias mundiais ao liberar substâncias químicas tóxicas as quais estão sendo combatidas mundialmente. Além da intoxicação via alimentar, há a intoxicação de trabalhadores rurais que entram em contato prolongado com esse tipo de substância, o que cresceu em 126,8% os casos de intoxicação, como divulgado no artigo “Uso de agrotóxicos no Brasil e problemas para a saúde pública” publicado na última edição dos Cadernos de Saúde Pública. 

A segurança do trabalhador no manejo de agrotóxicos, provavelmente é uma das maiores causas desse tipo de intoxicação, além da quantidade utilizada nas lavouras a qual é estipulada, sem parâmetros e cálculos específicos, pelo funcionário mais experiente de muitos estabelecimentos, como apontado por uma pesquisa da Unicamp. 

É urgente barrar o Projeto de Lei (PL) 6299/2002, conhecido como Pacote do Veneno, o qual pode viabilizar ainda mais a liberação de outras substâncias prejudiciais à saúde humana. Por outro lado, há no Congresso uma arma contra o veneno: o PL 6670/2016, que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA), garantindo mais saúde para a população e o planeta. Ou tenta, diante da realidade vigente, a qual, de acordo com o Greenpeace, ameaça fortemente a saúde humana a partir da malformação fetal, do aumento do colesterol, da esterilidade e do câncer.

Cada agrotóxico possui uma ação específica, tanto nos organismos vegetais, quanto no organismo humano. Na última semana de junho de 2019, uma pesquisa, divulgada pelo Canal History, movimentou o twitter, cujos resultados obtidos por cientistas da universidade de Pádua, na Itália, mostrou que jovens expostos ao composto industrial tóxico PFOS (sulfonato de perfluorooctano) têm comprovadamente o pênis menor e mais fino do que a média, além de problemas de fertilidade. Além disso, foi identificado o aumento de hormônios femininos em homens. Esse pesticida é utilizado para matar formigas nas grandes plantações, porém sua periculosidade já o fez ser extinto na maioria dos países que participaram da Convenção de Estocolmo, todavia no Brasil ele persiste.

A atitude mais cabível ao país seria promover e incentivar maiores estudos na área ambiental para encontrar alternativas à utilização de agrotóxicos. Já existem várias, como o controle biológico, combate de determinadas pragas com o uso de conhecimentos de cadeia ambiental e predatismo, porém algumas espécies necessárias ainda encarecem a técnica, por isso é necessário maior investimento, visando baratear e acessibilizar para que esses conhecimentos alcancem até mesmo os pequenos produtores. No entanto, essa realidade mais saudável a todos não compactua com os interesses da atual ministra da agricultura, Tereza Cristina, dona e parente dos maiores latifúndios do Centro Oeste, beneficiada pelo uso indiscriminado dessas substâncias, seja nas terras ou seja no Congresso Nacional, diante da bancada ruralista.

Mostrar a insatisfação com as medidas tomadas pelo atual governo, é, sem dúvidas, um dos melhores começos para os consumidores de sua possível morte. É preciso ir em busca de alternativas menos agressivas ao organismo humano e conscientizar, a partir da orientação embasada em hipóteses e teses, os alunos brasileiros para que as possíveis gerações consigam pensar em alternativas melhores que as sugeridas atualmente, assegurando a sustentabilidade.