A Reciclagem de Lixo Eletrônico



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13 de março de 2019 - 1:29


Computadores, celulares, televisores, micro-ondas, a lista de eletroeletrônicos é grande. É comum ter nos nossos lares, pelo menos um desses produtos. Mas, o que fazer quando eles não nos servem mais?
O lixo eletrônico, à primeira vista, pode parecer inofensivo, não exala cheiro, tem boa aparência, não suja o ambiente doméstico. Porém, o descarte adequado desse tipo de material é imprescindível, pois os eletrônicos são uma mistura de diversos materiais, dentre estes, produtos químicos altamente nocivos ao meio ambiente e à saúde humana como o mercúrio e o chumbo, além de ser um material produzido em larga escala no mundo todo.
Para realizar a reciclagem do material eletrônico é preciso fazer a separação dos diversos tipos de materiais. Separa-se a carcaça, que normalmente é de plástico ou metal, do vidro, baterias, pilhas e outros componentes que compõem o objeto, logo em seguida, todo o material separado é enviado para lugares diferentes a fim de realizar o processo de reciclagem. O Brasil ainda não possui métodos para o reaproveitamento das placas do circuito interno dos aparelhos, que é a parte com maior grau de complexidade na reciclagem, portanto, estas são enviadas para países que realizam esse trabalho.
A dificuldade de dar destinação adequada ao material eletrônico e a crescente produção desse tipo de lixo têm servido de incentivo para a criação de projetos sociais que trabalham com os objetos descartados. O projeto do Instituto Caxinguelê, do município de Janaúba (MG), recebe doações do material tecnológico e faz a triagem do mesmo, retirando peças que ainda podem ser aproveitadas e utilizando-as em aulas para a comunidade, o resto do material é enviado para a reciclagem de acordo com seu tipo. O projeto oferece cursos em diversas áreas de conhecimento, entre estes, cursos de programação de jogos, robótica, montagem de computadores, entre outros, tudo com material doado.
Uma ONG em Valparaíso (GO) chamada “Programando o Futuro” também trabalha na destinação adequada do material eletrônico. Um dos colaboradores do projeto, Rafael Aguilar, afirma que a ONG recebe cerca de 10 toneladas de lixo eletrônico anualmente, em sua maioria computadores. A solução encontrada para destinar tanto plástico foi a transformação do material em filamentos para impressoras 3D, onde o plástico é derretido e, posteriormente, modelado para o uso. Atualmente, no Brasil, há poucas empresas que fabricam filamentos para impressoras 3D, com o programa de reciclagem, no entanto, a ONG “Programando o Futuro” consegue produzir o material com custos bem abaixo do normal, o que acaba deixando o preço do produto final cerca de 40% menor. Apoiado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o projeto possui uma estação de metarreciclagem (lugar especializado em reciclagem de lixo eletrônico) onde, além de fazer o reuso dos equipamentos, ainda promove cursos de capacitação técnica para jovens e adultos.
Em 2009 foi aprovada a lei 13.576, que responsabiliza os próprios fabricantes pelo descarte do lixo eletrônico. É difícil encontrar postos de recolhimento desse material e em sua maioria estão localizados nas grandes cidades. Na falta de lugares especializados para receber esse material e enviar, adequadamente, à reciclagem, deve-se levar as peças que não servem mais, às próprias lojas onde são vendidas para devolução aos fabricantes. O principal problema é a falta de conhecimento da comunidade consumidora sobre como realizar o descarte adequado, e na “falta de opção” esse lixo acaba sendo jogado junto ao lixo doméstico.
A reciclagem de lixo eletrônico no Brasil, ainda é feita em pequena escala. Apesar de representar o processo reciclável mais lucrativo, é também o mais trabalhoso, isso o torna pouco atrativo para corporações que já atuam na área. A participação da população nesse tipo de reciclagem é imprescindível, quanto mais pessoas tiverem conhecimento sobre como descartar adequadamente seus aparelhos eletrônicos, mais a própria comunidade pode se beneficiar com a reciclagem, e o melhor, preservando o meio ambiente dos possíveis impactos advindos do descarte inadequado.