A desertificação do solo



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2 de julho de 2019 - 10:00


Atualmente, a desertificação do solo é um tema que repercute cada vez mais. Mas afinal, o que é desertificação? O próprio nome já sugere o que é esse processo: a degradação do solo causada por atividades humanas ou fatores naturais, deixando-o infértil e árido. Os principais fatores que contribuem para a desertificação do solo são o desmatamento da vegetação nativa, o uso intensivo do solo pela agricultura e pecuária, a mineração e práticas inadequadas de irrigação.

No livro “Estado da Arte do Recurso Solo no Mundo” (Status of the world’s soil resources) foi publicado um estudo coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU) envolvendo 600 pesquisadores de 60 países onde mostra que mais de 30% do solo mundial se encontra degradado, desse índice, metade já se encontra desertificado (15% da superfície terrestre). No brasil, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 13% do território é vulnerável à desertificação por se encontrar em áreas semiáridas e o processo já atinge porções da região Nordeste, o cerrado tocantinense e o norte de Mato Grosso.

Em um mundo onde a expectativa de vida cresce cada vez mais e novos indivíduos não param de nascer, essa notícia é alarmante, pois o problema de desertificação afeta de forma significativa a natureza, e o ser humano por fazer parte desse ecossistema, também é atingido pelo problema. A desertificação causa a eliminação da vegetação do solo, reduz a biodiversidade, intensifica o processo erosivo, reduz a disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos, diminui a fertilidade do solo, como consequência faz com que a agricultura se torne impossível e com todos esses problemas ocorre o aumento do fluxo migratório, pois a sobrevivência de animais e humanos se torna algo difícil nessas condições.

Apenas a conscientização não é o suficiente para evitar a degradação do solo por ações humanas e sua possível desertificação. Por ser um problema grave a ONU criou em 1994 a Comissão contra a Desertificação, cujo o objetivo é criar projetos eficazes para deter a expansão das áreas desertas, principalmente nos países mais afetados pelo fenômeno. No Brasil, em 2012, a Embrapa, junto com o Tribunal de Contas da União, reuniu em Brasília autoridades nacionais e internacionais para um debate sobre solo que durou três dias, onde foi elaborada a Carta de Brasília que contém recomendações sobre o manejo e conservação da terra.

Em resumo, para atenuar os danos causados ao solo e evitar os processos de desertificação é preciso, inicialmente, investir na conscientização de pessoas responsáveis por uma grande massa de terra, como agricultores e fazendeiros. Além disso, é necessário o desenvolvimento de pesquisas com foco na recuperação das áreas afetadas e na prevenção do processo desde a fase de degradação, e por fim, investir fortemente em políticas públicas que evitem o avanço da desertificação.