Fertilizantes: uma destruição que preocupa



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17 de abril de 2019 - 17:00


Grande parte da Amazônia utilizada para o plantio de gêneros agrícolas comercializáveis não é fértil como tal atividade exige, o que potencializa a procura e a utilização cada vez maior de fertilizantes no processo. Todavia, grande parte dos fertilizantes agrícolas possuem quantidades elevadas de substâncias químicas, as quais podem ser prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, como o  nitrato e o fósforo.

No organismo humano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, o nitrato (NO3) pode ser reduzido a nitrito (NO2) no organismo, principalmente de bebês menores que 6 meses, de idosos e de gestantes, formando a methemoglobina, uma espécie de hemoglobina que não é capaz de transportar oxigênio como a oxihemoglobina comum. Devido esse tipo de substância preencher as hemácias originárias do organismo, ela pode desencadear uma redução na oxigenação no cérebro e levar o indivíduo à morte.

Na agricultura, a Geografia segue estudando os seus impactos, porém já se possui o conhecimento de que os fertilizantes possuem a capacidade de infiltrar pelo solo e ir até a rocha impermeável da terra, contaminando os lençóis freáticos de uma determinada região, quando usados em excesso ou em um tempo prolongado. Além disso, tais substâncias, quando associadas ao desmatamento e à destruição das matas ciliares, algo comum na Amazônia, tem a facilidade de ser lixiviado pela água das chuvas e alcançar o leito dos rios, contaminando-os e multiplicando os nutrientes nos rios, que posteriormente multiplica a quantidade de algas e reduz o número de peixes e outros seres vivos, caracterizando um processo de eutrofização.

Recentemente, as mídias nacionais divulgaram a ameaça que a cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, está sofrendo diante da poluição de seus rios de águas cristalinas e ricas em calcário. Os rios Formoso e da Prata, duas das principais atrações de mergulho nesse roteiro de ecoturismo famosíssimo, no Brasil, há cerca de 2 anos sofrem com a substâncias lixiviadas dos fertilizantes utilizados em larga escala pelos grandes produtores de soja do território sul mato grossense, sendo percebido em trechos dos rios a mudança do azul cristalino para uma coloração barrenta. Essa contaminação já alcança as proximidades do roteiro mais caro de Bonito, o abismo de Inhaúmas e ameaça a continuidade dessa atividade no local, mas apesar de muitos fazendeiros terem recebido notificações a respeito dessa degradação, as denúncias continuam e o rio cristalino, rico em calcário, dia após dia segue enriquecendo-se em nitrato e comprometendo o perfeito funcionamento da natureza.

É perceptível que as ações antrópicas são as responsáveis por alcançar a natureza mais intocável do planeta e, em nome da ambição, inúmeras teias alimentares e cadeias produtivas são comprometidas. É possível que algumas espécies de peixes sejam extintas se essa utilização de fertilizantes seguir crescendo de maneira desenfreada e irresponsável, no país, o que, por conseguinte, compromete os demais animais dependentes da existência de tais espécies aquáticas. A longo prazo, ainda, a saúde humana poderá ser comprometida a partir da alimentação cultivada, se esta for rica nesse produto.

Por isso, torna-se fundamental refletir sobre os atuais usos e suas respectivas necessidades, repensando alternativas e medidas sustentáveis a fim de assegurar a continuidade do equilíbrio no meio natural, a preservação ambiental e a disponibilidade de recursos inofensivos à saúde humana os quais ainda possam ser ofertados a muitas outras gerações.